
O médico trabalhava no Hospital Ernesto Dornelles, em Porto Alegre (Foto: divulgação)
Justiça torna réu cirurgião plástico acusado de crimes contra pacientes em Porto Alegre
O médico Leandro Fuchs foi denunciado pelo Ministério Público por estelionato, concussão, falsidade ideológica e injúria racial contra mulheres atendidas no Hospital Ernesto Dornelles.
PORTO ALEGRE — A Justiça do Rio Grande do Sul acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público (MP-RS) e tornou réu o cirurgião plástico Leandro Fuchs. O médico responderá formalmente pelos crimes de concussão, estelionato e falsidade ideológica contra sete pacientes mulheres, além de injúria racial praticada contra uma das vítimas.
A decisão partiu da 11ª Vara Criminal do Foro Central de Porto Alegre. A ação penal unifica sete inquéritos policiais focados na conduta do profissional dentro do Hospital Ernesto Dornelles, na Capital gaúcha. O promotor de Justiça André Baptista Caruso Mac Donald, responsável pela denúncia encaminhada em 6 de julho, incluiu agravantes por abuso de poder e continuidade delitiva.
Fraudes no IPE-Saúde e sequelas físicas
De acordo com as investigações, o cirurgião utilizava o prestígio do cargo para induzir pacientes ao erro e obter vantagens financeiras indevidas. Os relatórios apontam que o médico permitia que médicos residentes realizassem as cirurgias no seu lugar, sem a autorização ou conhecimento das pacientes. Posteriormente, ele assinava os prontuários simulando ter feito os procedimentos.
O Ministério Público também aponta que o réu cobrava valores extras por procedimentos cirúrgicos que já haviam sido integralmente cobertos e pagos pelo IPE-Saúde.
As vítimas que moveram a ação relataram ter sofrido graves complicações pós-operatórias decorrentes das cirurgias, incluindo quadros de:
- Necrose de tecidos;
- Infecções severas;
- Deformações estéticas e mutilações.
O número de vítimas pode aumentar nos próximos meses, uma vez que o promotor informou que há, pelo menos, outros 30 inquéritos civis e policiais ligados ao mesmo médico em fase de análise pelo Ministério Público.
O posicionamento das partes
Em nota oficial enviada à imprensa, a banca de defesa de Leandro Fuchs reiterou a inocência do réu. Os advogados afirmam que perícias técnicas já descartaram a existência de lesões corporais dolosas e manifestaram convicção de que o cirurgião — que atua há mais de 20 anos na área médica — será inteiramente absolvido ao final do processo criminal.
Procurado, o Hospital Ernesto Dornelles esclareceu que o médico não faz mais parte do seu corpo clínico e não realiza qualquer atividade cirúrgica ou assistencial na instituição. A administração do hospital reforçou que segue colaborando de forma irrestrita com o trabalho das autoridades competentes.
O Conselho Regional de Medicina do Rio Grande do Sul (Cremers) comunicou que abriu uma sindicância interna para apurar o caso na esfera ética, tramitando sob sigilo legal.
crédito :jornal o sul